Tudo como nunca! (Luís Carlos Alencar)


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No Rio, 22 de Junho. O que se passa depois de dois dias do Levante Popular da Presidente Vargas? Alguns dias depois da rebelião popular da ALERJ? O silêncio que antecede novas expressões retumbantes de política! Dá para sentir no ar o cheiro excitante do inominável: a ambiência é a da possibilidade total!


As mobilizações são como um território condensado: tempo e espaço se intensificam nos arredores do trajeto. Tudo está eclodindo e se reinventando em menos de uma semana. Décadas de processos sociais estão sendo vivenciados em dias: conflitos contra as forças de repressão do estado, aprendizados durante a revolta, resistência que se organiza e se refaz, sobreposição de análises de conjuntura, riscos de vida e desejos destrutivos edificantes, embates com a extrema-direita, partidos ou não partidos, organização ou espontaneísmo, aliados ou inimigos, estratégias, princípios ou método, puxar manifestações só da esquerda ou disputar corações e mentes, fechar em poucas pautas ou potencializar a hidra, identidade ou fluxo, avançar ou recuar?


Na territorialização dos conflitos, passaram a estar presentes (e intensificadas) todas as assimetrias sociais e muitos dos seus personagens – a massa (a cheirosa e a fedida), o racismo e o antirracismo, o fascismo (do estado e da direita organizada) e o antifascismo (das esquerdas que se articulam). Como não haver conflitos? Espera-se fazer movimentação de massa com 2 milhões de pessoas de esquerdas? Se nem entre nós podemos considerar que historicamente houve paz… A nós anarquistas: não era por isso que esperávamos? A cotidianização da política? A possibilidade real de disputarmos ideias, experiências, agires políticos?


Quem disser que está fora disso, não se espante, simplesmente é a assunção da incapacidade de agir nos novos cenários. O programa de revolução foi à bancarrota. Algumas estruturas de organização tem mesmo que sucumbir, para se reinventarem, tem que fazer a autocrítica e possibilitar maior participação de seus membros, mudar radicalmente a sua dinâmica e a de seus processos deliberativos. Não é só a democracia burguesa, nem o estado que está em xeque: as nossas organizações também estão! Em última instância: nós mesmos não podemos ser os mesmos.


O território das mobilizações está se ampliando: para além das ruas, pelas redes virtuais (não mais como chamados, mas como disputa de sentidos, embates pelos significados de todos os processos), pelas reuniões, plenárias, assembleias populares…


Precisamos de mais. E para ampliar ainda mais esse território,
precisamos investir na criatividade, nossa principal arma. O momento é propício para invenções – do mundo, das pessoas e da ação! Temos que manter o fluxo se espalhando pela cidade, pelo país, para se tornar afluente do mundo.


O que determinará a força da correnteza é estarmos todos em curso. Manter a criação (que também opera pela destruição) para além de passeatas. Estas já em si deixaram de ser a modorrenta marcha dos mesmos, com os mesmos, para os mesmos e se afirmam como a ação direta e o protesto social como proposta democrática de participação.
Temos que avançar! É um terreno novo, que ninguém sabe ainda como manejar, portanto espaço de liberdade em disputa. Temos que explorar justamente isso: a disputa pela liberdade de existirem espaços livres.
Vamos criar novos eventos, mas também constituir novas possibilidades de manifestações mais perenes: assembleias no interior das manifestações, assembleias populares de bairros
como manifestação em si, teatros e perfomances de terrorismo poético, festividades de combate, ocupas virais, façamos o inusitado como enfrentamento e proposição.


CRIEMOS! (pero sin perder la revuelta)



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