Posts com a Tag ‘politica’


1º de Março, um novo início (Sandro Mezzadra)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Sandro Mezzadra

Um novo começo. Disso trata o 1º de março. Desde o início, ao receber as notícias que chegavam dos quatro cantos da península, tive a sensação de que algo novo se punha em movimento. Vozes frescas, emocionadas e, por vezes, surpresas, davam conta de greves de consumo e de greves nas fábricas (“Não precisamos de autorização para fazer greve”, diziam muitos coletivos, zombando da miopia dos sindicatos), de manifestações estudantis e de “lições de clandestinidade”, de passeatas diante do INPS , dos canteiros de obras, de milhares de lugares onde o trabalho dos migrantes é explorado cotidianamente, mas onde também lutam e resistem diariamente. Depois chegaram as fotos, e as praças mostravam desde cedo caras novas de uma composição juvenil na qual se cruzam histórias e cores, línguas e emoções. À medida que o dia passava, as ruas de milhares de cidades italianas foram se preenchendo e confluindo em uma extraordinária expressão da multidão (ao menos uma vez o uso deste termo não é retórico), em rejeição ao racismo e na afirmação de uma nova cidadania. (mais…)




O Norte perdeu o Sul (Olivier Borius)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Olivier Borius

Hoje, como de costume, eu consulto os jornais brasileiros e franceses online. Esta manhã, estou curioso para ver como a imprensa francesa tratou da criação de um novo bloco regional na América Latina e Caribe, sem os Estados Unidos e o Canadá, que aconteceu na véspera, dia 23 de fevereiro. Surpresa! Nenhuma repercussão. Nem o Libération, nem o L’Humanité, nem o Le Figaro, falam disso. Eu consulto então o maior telejornal nacional do país, TF1. De novo, nada. Nada o dia 24, dia 25, dia 26. O único artigo (pequeno) que eu encontrei foi no Le Monde, dia 25, na seção Internacional. (mais…)




Resistir para acreditar (Beatriz Lemos)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Beatriz Lemos

O exercício de rememorar minha estadia como curadora brasileira residente em Batiscafo  me facilitou entender o motivo de meu incômodo ao responder a pergunta dos amigos após o retorno da viagem: “Você foi para Cuba, que maravilha! E aí, como foi?” O incômodo vinha por não saber ao certo a resposta, e apenas concluía ter sido uma experiência intensa.
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‘Arraiá’ da Resistência (Fabiano Nunes)

domingo, 20 de dezembro de 2009
Fabiano Nunes

Quem não está, não existe! Em espaços onde a realidade não necessita ser buscada, que ela se apresenta cruelmente como a companheira fria de uma luta de equalização de direitos frustrada, a luta pela vida é carne. É fome. É resistência diária.

Alguns séculos atrás, um africano guerreiro escravizado – como tantos outros, arrancado de sua terra – profundo conhecedor das forças dos ferros dos quilombos da nossa terra brasilis, não foi vencido pela dureza das chibatadas e pelos interesses dos poderosos senhores: o guerreiro quilombola Manoel Congo propunha a revolução, a resistência, a luta pela transformação daquela relação apodrecida de poder. Proposta difícil para a época da escravidão assumida; proposta de resistência nesta nossa época de escravidão dissimulada e alimentada pelos detentores de poder público (coitados, não sabem o que os espera!). Brasileiro anestesiado pelos interessados em governar um “povo-gado” é expulso de casa e posto na beira de qualquer ventania. Anda sem forças e sem fim, carregando o pouco que restou de si mesmo e de seus filhos. Mas esses restos ainda ateiam fogo às vestes dessa estrutura nojenta de “governo” que se esquece da humanidade, e esquecendo seus irmãos de espécie, assina papéis timbrados num ar-condicionado que resfria o amor. Não. No chão da nossa terra tem sangue e suor do nosso povo escravizado. Da dor nasceu a resistência. (mais…)




Moradia e construção dos novos direitos (Claudia Bernardi)

domingo, 20 de dezembro de 2009
Claudia Bernardi

Gostaria de propor algumas questões a partir de meu ponto de vista parcial e dos problemas específicos que a realidade italiana coloca, já que a luta pela casa tem uma longa história em meu país. Pretendo ainda, através dessas questões, estabelecer uma ligação e uma comparação entre as realidades brasileira e italiana no que diz respeito à possibilidade de construir novos direitos com base nos sujeitos envolvidos. Minhas reflexões partem da análise dos movimentos que atravessaram as cidades italianas nos últimos anos: imigrantes de primeira e segunda geração, estudantes, precários e famílias de sem-teto colocaram questões fundamentais à sociedade e ao governo. Movimentos que conheci nos últimos anos e com os quais tive a possibilidade de discutir em diversos seminários de várias universidades, especialmente em Roma. Gostaria também de salientar que esses movimentos observam com extremo interesse o que está acontecendo na América Latina e, em especial, a nova relação virtuosa que vem sendo construída entre movimento e governo. (mais…)




Segurando o Abacaxi (Rubens Pileggi)

domingo, 20 de dezembro de 2009
Rubens Pileggi

Era uma tarde quente de sol. Sexta-feira, véspera de carnaval. Alguns dos participantes estavam fantasiados para a ocasião. Outros carregavam um abacaxi de plástico como adereço mais do que condizente com a situação das artes (mais…)







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