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A Política da Cultura Ponto a Ponto > Pedro Mendes

quarta-feira, agosto 3rd, 2011

Por Pedro Mendes

A administração (e a fruição) de nossas riquezas comum – culturais e naturais – depende não do des-envolvimento, mas de um envolvimento que só o reconhecimento da produtividade da vida pode proporcionar. A nosso ver, os Pontos de Cultura são uma resposta possível a um anseio democrático por dispositivos constituintes adequados aos novos modos de produção e expressam o desejo da multidão enquanto composição da nova força de trabalho. Operam como uma rede de espelhos: não se destinam às pessoas, mas ao contrário, emanam delas.
A seguir, algumas das qualidades dos Pontos de Cultura que consideramos potentes, e que podem contribuir para explicar não apenas seu sucesso, mas também para apontar possíveis caminhos para novas políticas públicas (da cultura ou não). (mais…)




Grécia – Indignados > por Europa Zapatista

quarta-feira, agosto 3rd, 2011

Enquanto na Espanha o despejo violento dos indignados da praça de Barcelona teve como resposta a reconquista desse espaço, na Grécia os indignados locais também passaram a se concentrar nas praças. Após alguns dias, as milhares de pessoas na praça central de Atenas estão dando seus depoimentos através do twitter e redes sociais.
O protesto, sem partidos políticos, sindicatos e organizações históricas se centra sobre a gravidade da crise no país e as receitas impossíveis do Governo e da Europa.
São pessoas de todas as idades que se dirigem para a Praça Syntagma.

De Europa Zapatista para o GlobalProjecthttp://www.globalproject.info/it/in_movimento/Grecia-Indignados/8645

Tradução de Pedro Mendes

28  de maio de 2011

Milhares de pessoas estão há três dias ocupando as praças gregas após uma convocação anônima. Um chamado circulou pelo Facebook dizendo: “gregos indignados na Praça Syntagma”. Tudo começou em 25 de maio, inspirado pela concentração em Puerta del Sol, na Espanha. A convocação dizia ainda: “venha mesmo sem chamadas para a manifestação, sem slogans de partidos, sem identificação de qualquer sindicato”.

Eu mesmo sequer tinha visto o Facebook, mas a reunião foi divulgada através do boca-a-boca, e-mails, mensagens de texto. Com uma única frase: “Dia 25 de Maio, às 18 horas., na Praça Syntagma”. Definitivamente havia incerteza, suspeita, desconfiança, houve até quem dissesse que era senso comum imaginar que movimentos nascessem no Facebook. E então… surpresa! Uma surpresa imensa: de 25 a 40 mil pessoas. Mas os números, em si, não importam, a praça está tomada. (mais…)




A esquerda diante do abismo da democracia > Exposito, Herreros e Rodriguez

terça-feira, agosto 2nd, 2011

Por Marcelo Exposito, Tomas Herreros e Emmanuel Rodriguez*| Tradução de Pedro B. Mendes

Em 11 de março de 2004, dez explosões simultâneas mandaram pelos ares quatro trens em Madri e tiraram a vida de cerca de 200 pessoas, além de ferir cerca de 2.000 e de semear o terror. Nas horas que se seguiram, o governo do Partido Popular, liderado por José María Aznar, deu início a uma grande confusão, a fim de capitalizar politicamente a dor. Simultaneamente, os telefones celulares começaram a receber mensagens de texto: encontremo-nos na rua. Levas de pessoas tomaram os espaços públicos, em manifestações e concentrações difusas, espontâneas, exigindo saber a verdade. Era sábado, 13 de março, dia de eleição. No dia seguinte, os votos majoritários deram uma inopinada vitória ao candidato do PSOE, José Luis Rodríguez Zapatero. Dito com clareza: Zapatero chega ao governo da Espanha impulsionado por um movimento social. O novo presidente prometeu em público: “Não os decepcionarei.” Conservemos por um momento essa imagem. Domingo, 15 de maio de 2011. A manifestação convocada por redes sociais na Internet vai além das expectativas: dezenas de milhares de pessoas se reúnem em sessenta cidades espanholas, sob o lema comum “Democracia real, já!”, que arrasta atrás de si uma constelação de enunciados: “Não somos mercadoria nas mãos de políticos e banqueiros”, “não nos representam”. (mais…)




A Tunísia é a nossa Universidade > Anna Curcio e Gigi Roggero

terça-feira, agosto 2nd, 2011

Notas e reflexões da Liberation without borders tour

Por Anna Curcio e Gigi Roggero* | Tradução de Pedro B. Mendes

Hoje, a Tunísia é um laboratório político extraordinário. Destruindo definitivamente qualquer reminiscência inveterada do espelho colonial, no qual a “periferia” deve observar o “centro” para ver a imagem de seu futuro refletida nele, as lutas sociais estão determinando o ponto mais avançado no interior do capitalismo global. Realizar pesquisa neste laboratório representa a possibilidade de encontrar respostas e desenvolver questões políticas não resolvidas.
Acima de tudo, emergem aqui algumas indicações fundamentais sobre a temporalidade da crise. Entre 2007 e 2008, quando começamos a desenvolver nossa análise da crise econômica global, não poderíamos imaginar a deflagração de novos ciclos de luta. Ou melhor, esses novos ciclos eram de caráter fragmentário e não generalizado. Hoje, podemos ver como o próprio conceito de ciclo deve ser completamente repensado: quando a crise já não é uma fase específica, mas um elemento horizontal permanente e insuperável do capitalismo cognitivo, as próprias lutas adotam uma temporalidade diferente. Elas aguardam e atacam o inimigo onde ele é mais fraco, ou seja, onde a composição do trabalho vivo é a mais forte. (mais…)




Comunicado de Túnis, 18 de maio de 2011

terça-feira, agosto 2nd, 2011

Tradução de Pedro B. Mendes

As delegações da Knowledge Liberation Front, Network Welcome to Europe and other activists of NoBorder, Revolte Soliplenum (de Göttingen, Alemanha), Afrique – Europe – Interact e ABCDS (de Oujda, Marrocos) têm colaborado em Túnis em iniciativas para realizar pesquisa militante neste complexo e fundamental laboratório político que se tornou a sociedade tunisina pós-insurrecional.
A base da nossa cooperação é a estratégia compartilhada de combinar as lutas pela livre circulação das pessoas e do conhecimento, a luta contra a mercantilização dos sistemas de educação, a precariedade e o regime de fronteiras nacionais. Esta iniciativa é acima de tudo uma declaração política: o espaço de luta e de transformação social é transnacional, continuamente marcado pela mobilidade do trabalho vivo e pelos conflitos relacionados a este processo. De fato, temos encontrado pessoas, grupos e ativistas envolvidos no movimento revolucionário, bem como aquelas voltadas às questões relacionadas à migração. (mais…)




Primavera em Milão > Andrea Fumagalli

terça-feira, agosto 2nd, 2011

Por Andrea Fumagalli | Tradução de Pedro B. Mendes

Na primeira semana de abril, a temperatura em Milão atingiu 32 graus, recorde histórico dos últimos 50 anos. Ardia a primavera, embora, na realidade, na cidade, o aumento da temperatura tenha começado já no outono anterior, com a invenção dos Estados Gerais da Precariedade, e o início de um processo de análise, contínuo e estrito, sobre a condição precária. O mito do Mayday (tornado ritual) se põe em movimento dez anos após seu nascimento. Ainda no outono foi lançada a primeira edição dos Quaderni di San Precario [Cadernos de São Precário], instrumento essencial para a construção de um ponto de vista precário, resultado da colaboração entre as diversas experiências metropolitanas do Norte da Itália colocadas em prática pelos movimentos dos últimos meses (da luta sobre a questão dos contratos na fábrica da Fiat às batalhas contra o projeto de reforma Gelmini para as universidades). Já por ocasião da segunda edição dos Estados Gerais, em meados de janeiro, lançou-se a proposta de uma greve precária. (mais…)




Fios de nylon: do “não à guerra” ao movimento 15-M

terça-feira, agosto 2nd, 2011

Fonte: http://madrilonia.org | Tradução de Pedro B. Mendes

Tradicionalmente, a memória das lutas dos trabalhadores, responsável pela conquista de muitos dos direitos que ora vem sendo tirados, assume uma perspectiva histórica por meio de narrativas que permitem unificar em sentido progressivo os ciclos de luta. Ao se fazer isso é bastante comum recorrer à metáfora da trama dos fios preto (no caso das lutas autônomas ou anarquistas) e vermelho (no caso dos comunistas), que se refere ao fundo de continuidade dessas lutas por todas essas décadas.
Atualmente, ao passo que cada evento é apresentado como um acontecimento único (frágil, fugaz ou pura moda mesmo) vale a pena tentar seguir esses fios, por mais precária que essa tentativa possa ser, já que eles nos permitem alcançar a lógica que há muito orienta os diferentes processos. É isto que acontece com o Movimento 15-M, o qual, apesar de muitos de seus membros não terem feito parte de manifestações como o ‘Não à guerra’, ‘13-M’ ou ‘V de Vivienda’, suas mobilizações e práticas são reproduzidas em discursos que reverberam, como os próprios slogans, entre eles. (mais…)




“Ei, você aí, me dá um dinheiro aí!” (Pedro Mendes)

quinta-feira, novembro 25th, 2010

“Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí!” (ou quem paga pelo carnaval que todos criam?)

Pedro Mendes

Seguindo uma intuição que recomenda ‘impessoalizar’ questões desse tipo, seria apropriado considerar, em primeiro lugar, que o que perdeu as últimas eleições foi um projeto absolutamente vazio, carente de perspectiva e que substituiu qualquer proposta alternativa por uma violência e um conservadorismo que em 1964 já se apresentavam como o verdadeiro risco (tragicamente confirmado) à democracia. Por outro lado, também não seria preciso afirmar que quem venceu as eleições foi a candidata do governo ou da “continuidade”, ou mesmo seu partido e a base política que lhe dão apoio. (mais…)




Moradia e construção dos novos direitos (Claudia Bernardi)

domingo, dezembro 20th, 2009
Claudia Bernardi

Gostaria de propor algumas questões a partir de meu ponto de vista parcial e dos problemas específicos que a realidade italiana coloca, já que a luta pela casa tem uma longa história em meu país. Pretendo ainda, através dessas questões, estabelecer uma ligação e uma comparação entre as realidades brasileira e italiana no que diz respeito à possibilidade de construir novos direitos com base nos sujeitos envolvidos. Minhas reflexões partem da análise dos movimentos que atravessaram as cidades italianas nos últimos anos: imigrantes de primeira e segunda geração, estudantes, precários e famílias de sem-teto colocaram questões fundamentais à sociedade e ao governo. Movimentos que conheci nos últimos anos e com os quais tive a possibilidade de discutir em diversos seminários de várias universidades, especialmente em Roma. Gostaria também de salientar que esses movimentos observam com extremo interesse o que está acontecendo na América Latina e, em especial, a nova relação virtuosa que vem sendo construída entre movimento e governo. (mais…)







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