Posts Tagged ‘cultura’


De Caetanos, Cotas e Passeatas contra Guitarras > Rodrigo Guéron

quarta-feira, agosto 3rd, 2011

Por Rodrigo Guéron

Tudo bem, o leitor pode começar se perguntando porque falo das cotas se nas colunas semanais de Caetano no Globo, como na imprensa em geral, essa não é o assunto up to date. De fato, o que anda em questão, e muito me interessa, é o debate em relação à gestão da ministra Ana de Holanda no Minc e uma espécie de, a meu ver, restauração conservadora que ela instaurou no ministério, aplaudida por Caetano e outros “medalhões celebridades” da indústria cultural no mesmo movimento em que eles atacavam, no limite da grosseria e da truculência verbal e política, a gestão Gil/Juca e o governo Lula.
E aqui para me explicar eu me complico, porque acho que no centro político deste debate, em especial para travá-lo com o Caetano Veloso, está o conceito de antropofagia. De fato, esta bela palavra, boa até de pronunciar, poderia até estar no título deste artigo. Trata-se, a meu ver, da mais importante colaboração do pensamento brasileiro em termos de uma criação direta e explícita de um conceito para o pensamento contemporâneo. Mais de meio século antes de começarem a falar de “multiculturalismo”, o conceito de antropofagia tem uma singularidade, uma força e uma generosidade para compreender o encontro e a relação entre as diferenças que parece já supor, por antecipação, a insuficiência e a relativa impotência, a despeito das boas intenções, desta noção de “multicultural”. (mais…)




A Política da Cultura Ponto a Ponto > Pedro Mendes

quarta-feira, agosto 3rd, 2011

Por Pedro Mendes

A administração (e a fruição) de nossas riquezas comum – culturais e naturais – depende não do des-envolvimento, mas de um envolvimento que só o reconhecimento da produtividade da vida pode proporcionar. A nosso ver, os Pontos de Cultura são uma resposta possível a um anseio democrático por dispositivos constituintes adequados aos novos modos de produção e expressam o desejo da multidão enquanto composição da nova força de trabalho. Operam como uma rede de espelhos: não se destinam às pessoas, mas ao contrário, emanam delas.
A seguir, algumas das qualidades dos Pontos de Cultura que consideramos potentes, e que podem contribuir para explicar não apenas seu sucesso, mas também para apontar possíveis caminhos para novas políticas públicas (da cultura ou não). (mais…)




Debate sobre cultura na lista Mobiliza Cultura

quarta-feira, agosto 3rd, 2011

Bate-papo via lista de e-mails [MobilizaCultura]. Com Jéssica Miranda, Célio Turino, Bruno Cava, Alex Antunes, Marcus Franchi, Janine Durand, Giuseppe Cocco, Cezar Migliorin, Thiago Skárnio, Adriano Belisário, Sérgio Amadeu, e outros.

Entre 23 de abril e 31 de maio de 2011


Subject: [MobilizaCultura] Brasil entre os piores no ranking da CI sobre direitos autorais

Quão limitados ficamos por esta lei. O direito ao conhecimento nos é
negado pela falta de flexibilidade da LDA. Estamos nos deparando com
uma ditadura moderna? Digital?

Jessica

Subject: [MobilizaCultura] Brasil entre os piores no ranking da CI sobre direitos autorais

Jessica, na atual etapa do Capitalismo (Capitalismo Cognitivo), a grande arena da luta de classes (para os que pensam que a luta de classes acabou, ela está aí, firme e forte) é a batalha pelo controle do conhecimento e das narrativas. A batalha da LDA se insere aí.

Célio Turino

Subject: [MobilizaCultura] Brasil entre os piores no ranking da CI sobre direitos autorais

Do ponto de vista da economia política também acho isso. A blitz restauradora no MinC não passa de uma tentativa desesperada de proteger-se das mutações do trabalho, ao redor da economia do conhecimento, do imaterial, das redes, da militância em enxame. O único jeito hoje de barrar a produção está no copyright, nas indústrias do copyright (aka “criativas”), na mistificação da divisão social do trabalho (“criador-medalhão” x operário da cultura), na criminalização do compartilhamento (xérox, download, anti-counterfeiting, AI5 digital). (mais…)




A arte de provocar ruínas: especulações na Zona Portuária > Cristina Laranja

terça-feira, agosto 2nd, 2011

Por Cristina Laranja

c ribas_cais do valongo

Cais do Valongo, escavações na Zona Portuária

Foto: Cristina Ribas

“O caráter destrutivo transforma o existente em ruínas, não pelas ruínas em si, mas pelo caminho que passa através delas” – Walter Benjamin

Como parte das ações que implementam o projeto de sucesso “Porto Maravilha” na região portuária do Rio de Janeiro, a produção cultural vem sendo invocada como parte do projeto de dinamização do turismo na região. Dizer “região” ou Zona Portuária pouco qualifica esse terreno/território e, para colaborar na porosidade da percepção desse espaço podemos pensar que modos de vida, que narrativas fugidias, que histórias percorrem as ruas, que resistências, quais são os registros de que dispomos… e como isso tudo constitui esse terreno? Nosso objetivo com este artigo é especular sobre o modelo econômico e de gestão que utilizam dois museus em construção na área e compreender até que ponto eles contrastam com ações que poderiam fomentar, mais diretamente, a produção cultural já existente ali. Isso ocorre não sem trazer enfrentamentos para a própria produção, ou seja: para a(s) arte(s). (mais…)




E o encontro arrancou-nos dos sonhos impotentes (Atílio Alencar Moura Correa, Leonardo Foletto e Leonardo Palma)

domingo, maio 23rd, 2010

Atílio Alencar Moura Correa, Leonardo Foletto e Leonardo Palma

… há uma relação necessária entre o trabalho afetivo e as redes sociais, as formas comunitárias, a capacidade relacional, e que isso comporta um tipo de engendramento recíproco: o trabalho afetivo cria essas redes e ao mesmo tempo é criado por elas. (Peter Pál Pelbart)

A mobilização dos jovens produtores de cultura dos circuitos de festivais independentes está promovendo uma visível mudança de eixo na cena cultural brasileira. Apanhando essa mudança e ao mesmo tempo protagonizando-a, o autodenominado Circuito Fora do Eixo vem chamando a atenção e exercendo um efeito de contágio: constituir redes, fazer de cada experiência tecnologia social compartilhável e assumir o compartilhamento como prática e experiência de constituição de novas redes marcam sua trajetória. (mais…)




Sirva-se e serve-se [Pedro Moreira Lima]

domingo, dezembro 20th, 2009
Pedro Moreira Lima

Crônica

Lembro disso aí com muito gosto. Caminhando aos pés do morro pra comprar maconha – condição quase redutível do contato de jovens eurocentrados com negros – surgiu-me tal escrito na frente do que parecia ser uma pensão. A letra, em preto, claudicava toscamente sobre uma plaqueta de forte amarelo, fluorescente, pra roubar atenção. Era uma contradição maravilhosa, aquela poesia constituída na fratura da palavra. Uma presença que se dava pela falta. O gozo de um jato denso e fecundo esporrado para além da linearidade da pauta. (mais…)




A cidade insubmissa (Alexandre Mendes)

domingo, dezembro 20th, 2009
Alexandre Mendes

Da fuga dos escravos na direção dos quilombos livres, passando pela recusa nordestina ao poder oligárquico e à miséria, sem esquecer os fluxos de migração vindos de todo o mundo, o Brasil é atravessado por êxodos constitutivos que criam dinâmicas de liberdade e estabelecem novas formas de vida. Nascidas na velocidade desses êxodos, as grandes cidades brasileiras, tão caóticas quanto insubmissas, emergem como espaço de intensas lutas e conflitos em torno dos direitos e da cidadania.

Planejamento autoritário, concentração fundiária e de renda, violência, racismo foram algumas das tradicionais estratégias para o controle e exploração das multidões de pobres e migrantes que chegavam às cidades. Contudo, tais mecanismos não impediram o exercício de uma crescente e viva resistência exercida pelos novos habitantes. (mais…)




A universidade autônoma como processo comum (Uniriot)

domingo, dezembro 20th, 2009
Rete per l’Autoformazione – UNIRIOT Roma

1) É preciso repensar a questão da rede. Ao longo dos últimos anos, no contexto dos movimentos sociais, todos concordam que a nova forma de organização é a organização em rede. Isso é bom, mas não suficiente. De fato, hoje em dia, vemos economistas e acadêmicos liberais exaltarem as mesmas características que os movimentos sociais apontaram de uma forma subversiva: o excesso de cooperação na lógica do mercado, a importância do compartilhamento, o valor das diferenças e da multiplicidade, a construção do espaço público, experiências com open-source e software livre. Em outras palavras, a maioria dessas pessoas está consciente da impossibilidade de organizar a cooperação social de cima para baixo: assim, o problema crucial para elas é como capturá-la na base.

Este é o propósito dos processos de hierarquização e de segmentação: eles devem reduzir continuamente a cooperação social ao valor econômico e impor o comando post festum. Também a governança é uma forma de organização em rede, colocando nos termos de Ned Rossiter (Università Globale. Il nuovo mercato del sapere, disponível em inglês em http://www.edu-factory.org/edu15/index.php?option=com_content&view=article&id=77:a-hierarchy-of-networks-or-geo-culturally-differentiated-networks-and-the-limits-of-collaboration&catid=44:second-round&Itemid=62), uma vez que se baseia na impossibilidade da forma clássica de governo vertical. Em outras palavras, ela se baseia na crise determinada pelas lutas e pelos movimentos do trabalho vivo. A governança é descentralizada, mas não é horizontal. Na realidade, não há redes horizontais. Para resumir: a rede, em si, não é subversiva, ela só pode sê-lo quando estiver ligada às questões da re-apropriação do público e da destruição do comando e da hierarquia capitalistas. (mais…)







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