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A universidade autônoma como processo comum (Uniriot)

domingo, 20 de dezembro de 2009
Rete per l’Autoformazione – UNIRIOT Roma

1) É preciso repensar a questão da rede. Ao longo dos últimos anos, no contexto dos movimentos sociais, todos concordam que a nova forma de organização é a organização em rede. Isso é bom, mas não suficiente. De fato, hoje em dia, vemos economistas e acadêmicos liberais exaltarem as mesmas características que os movimentos sociais apontaram de uma forma subversiva: o excesso de cooperação na lógica do mercado, a importância do compartilhamento, o valor das diferenças e da multiplicidade, a construção do espaço público, experiências com open-source e software livre. Em outras palavras, a maioria dessas pessoas está consciente da impossibilidade de organizar a cooperação social de cima para baixo: assim, o problema crucial para elas é como capturá-la na base.

Este é o propósito dos processos de hierarquização e de segmentação: eles devem reduzir continuamente a cooperação social ao valor econômico e impor o comando post festum. Também a governança é uma forma de organização em rede, colocando nos termos de Ned Rossiter (Università Globale. Il nuovo mercato del sapere, disponível em inglês em http://www.edu-factory.org/edu15/index.php?option=com_content&view=article&id=77:a-hierarchy-of-networks-or-geo-culturally-differentiated-networks-and-the-limits-of-collaboration&catid=44:second-round&Itemid=62), uma vez que se baseia na impossibilidade da forma clássica de governo vertical. Em outras palavras, ela se baseia na crise determinada pelas lutas e pelos movimentos do trabalho vivo. A governança é descentralizada, mas não é horizontal. Na realidade, não há redes horizontais. Para resumir: a rede, em si, não é subversiva, ela só pode sê-lo quando estiver ligada às questões da re-apropriação do público e da destruição do comando e da hierarquia capitalistas. (mais…)




Oito teses sobre a Universidade (Alberto de Nicola e Gigi Roggero)

domingo, 20 de dezembro de 2009
Alberto de Nicola
Gigi Roggero

Bill Readings escreveu “The University in Ruins” em meados dos anos noventa (1996, na edição da Harvard University Press). A Universidade estatal está em ruínas, a universidade de massa está em ruínas, e a universidade, enquanto lugar privilegiado da cultura nacional, também está em ruínas. A própria cultura nacional está em ruínas. Podemos ler esse processo a partir da nossa perspectiva de participação em movimentos do trabalho vivo: este é o ponto de vista no qual situamos nossa análise. E, tanto a crise da universidade, quanto a da cultura nacional, foi determinada, acima de tudo, por esses movimentos. Não temos nenhuma nostalgia, portanto. Na realidade, a ‘empresarialização’ e a construção de uma “universidade global”, para usar as palavras de Andrew Ross, não são uma imposição unilateral. São processos baseados em relações sociais, ou seja, relações de força. Não achamos útil se opor a este processo em nome do passado, nós contribuímos para sua supressão. Ao contrário, temos que transformar esses processos em um campo de conflito. Devemos investir contra eles em um estágio avançado: este é o problema. Precisamos analisá-los para descobrir formas de resistência e linhas de fuga.

Mas, o que é a universidade atualmente? Do ponto de vista capitalista, é um dos locais de hierarquização da força de trabalho. Os mecanismos de valorização, desvalorização, desmantelamento e segmentação da força de trabalho estão baseados no conhecimento e no controle da produção de conhecimento. Mas, a universidade não é o único espaço para tal controle, pois há um transbordamento da produção de conhecimento das instituições de ensino: esta produção se difunde pelas redes de cooperação social, redes que são, por sua vez, ambivalentes, uma combinação conflituosa de autonomia e de comando capitalista, de lutas por liberdade e resultados apropriados pelo mercado. Assim, no contexto mais amplo das metrópoles, a universidade se torna cada vez menos central na hierarquia capitalista, embora continue sendo um local de grande concentração espaço-temporal da força de trabalho. (mais…)







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