Rete per l’Autoformazione – UNIRIOT Roma
1) É preciso repensar a questão da rede. Ao longo dos últimos anos, no contexto dos movimentos sociais, todos concordam que a nova forma de organização é a organização em rede. Isso é bom, mas não suficiente. De fato, hoje em dia, vemos economistas e acadêmicos liberais exaltarem as mesmas características que os movimentos sociais apontaram de uma forma subversiva: o excesso de cooperação na lógica do mercado, a importância do compartilhamento, o valor das diferenças e da multiplicidade, a construção do espaço público, experiências com open-source e software livre. Em outras palavras, a maioria dessas pessoas está consciente da impossibilidade de organizar a cooperação social de cima para baixo: assim, o problema crucial para elas é como capturá-la na base.
Este é o propósito dos processos de hierarquização e de segmentação: eles devem reduzir continuamente a cooperação social ao valor econômico e impor o comando post festum. Também a governança é uma forma de organização em rede, colocando nos termos de Ned Rossiter (Università Globale. Il nuovo mercato del sapere, disponível em inglês em http://www.edu-factory.org/edu15/index.php?option=com_content&view=article&id=77:a-hierarchy-of-networks-or-geo-culturally-differentiated-networks-and-the-limits-of-collaboration&catid=44:second-round&Itemid=62), uma vez que se baseia na impossibilidade da forma clássica de governo vertical. Em outras palavras, ela se baseia na crise determinada pelas lutas e pelos movimentos do trabalho vivo. A governança é descentralizada, mas não é horizontal. Na realidade, não há redes horizontais. Para resumir: a rede, em si, não é subversiva, ela só pode sê-lo quando estiver ligada às questões da re-apropriação do público e da destruição do comando e da hierarquia capitalistas.
2) Edu-factory é uma rede, mas isto não é suficiente. O problema é: como se tornar uma rede organizada, para usar as categorias de Ned Rossiter, ou seja, uma instituição autônoma? É preciso esclarecer o seguinte: não podemos nos tornar uma instituição autônoma apenas porque criamos uma cooperativa. Uma instituição autônoma é, para nós, a relação entre a produção de saberes oposicionistas, a constituição de novas normas comuns e a desarticulação da universidade existente. Ou seja, é a combinação entre organização comum e resistência. A universidade autônoma, portanto, não é uma alternativa à luta de classes no âmbito da universidade, ou uma reivindicação sindical. Pelo contrário, a luta de classes é que é a base da universidade autônoma. Esta é nossa experiência em movimentos universitários e projetos de auto-educação: não existe universidade autônoma sem luta de classes, sem a luta contra as relações de exploração e o processo de hierarquização. Assim, a invenção de instituições autônomas é um processo político e subversivo.
3) A governança necessita de auto-organização, mas enfrenta continuamente o problema de como comandá-la. Vidya Ashram escreveu em Autonomous Global University (disponível em http://www.edu-factory.org/edu15/index.php?option=com_content&view=article&id=79:autonomous-global-university&catid=44:second-round&Itemid=62) sobre a universidade autônoma global: “É um espaço de cooperação entre os produtores de conhecimento e um local de não-cooperação com o regime global do conhecimento”. Em outras palavras, temos de construir um comando coletivo no âmbito da auto-organização e da cooperação social. Para nós, a edu-factory é um campo de investigação política em nível transnacional. Conforme muitas pessoas têm escrito, ela se situa nas fronteiras: não precisamos construir aqui um caminho universal para a libertação, mas sim nos conectar e traduzir as diferentes formas e experiências de um processo comum. A idéia de uma universidade autônoma global é esse processo comum, baseado na multiplicidade de singularidades. Nesse sentido, como podemos dar início a esse processo, ligando-o a nossa produção de conhecimento oposicionista? Como podemos imaginar concretamente uma rede organizada, isto é, uma instituição autônoma baseada no processo de luta e de re-apropriação do espaço público? Como pode a universidade autônoma abrir um campo de batalha sobre o qual conduzir a luta contra as formas capitalistas de captura como, por exemplo, o sistema de propriedade intelectual? Como podemos nos tornar um espaço de ligação entre as lutas nas metrópoles e em outros contextos sociais? Para nós, estas são as principais questões políticas.







