Somos todos clandestinos (Francesco Raparelli)





Francesco Raparelli

Somos todos clandestinos. Somos todos antirracistas, e não se trata de retórica de solidariedade. A crise e seus efeitos cada vez mais concretos não fazem mais que escancarar a caixa de Pandora.  De migrantes expulsos a fuzilados – porque escravizá-los não funciona mais – aos mestres deixados em casa porque são muitos, aos precários que veem se esfumaçar qualquer possibilidade de obter uma renda, aos estudantes que veem se esvanecer qualquer possibilidade de um futuro digno. Somos muitos, muitos mesmo, nas escolas e nos postos de trabalho, e qualquer um pode ser descartado. Assim, nos tornamos clandestinos, chantageáveis, perigosos, devendo ser divididos, postos em competição, por não sermos confiáveis. Nós não pagaremos pela crise.

Porque a crise se torna a norma gritante que permite aos políticos impor sacrifícios às custas dos jovens estudantes, dos precários, dos migrantes e das novas figuras de cenário pungente de pobreza crescente. Porque a crise é o meio para traçar a nova geografia da exclusão e para impor a expulsão, deportação e o controle da força de trabalho, para fazer da perda do emprego um crime: o crime da clandestinidade.

No dia 1º de março retomaremos a Praça Montecitorio para construir, em conjunto, estudantes, jovens, precários, migrantes, desocupados – uma lição de clandestinidade. Porque queremos fazer de nossa clandestinidade a nossa riqueza, reivindicar nossa excedência e tornar comuns nossas experiências e nossos saberes. Pretendemos tornar visíveis (e erguer nossas vozes contra!) as políticas e as retóricas racistas, a depreciação do universo da formação, a precarização da vida.

O que aconteceria a esse país se o trabalho dos imigrantes cessasse por um dia? Se os estudantes abandonassem as universidades e as escolas? Se pais e mães deixassem de levar suas crianças às escolas do racismo e da intolerância? Pretendemos colocar estas questões, reunindo nossas diferenças e nossa força. É com essas questões, e a busca por respostas inovadoras, que compareceremos à praça Montecitorio no dia 1º de março, para afirmar nossa idéia de formação e de sociedade, que passa pela cooperação, pelo confronto, pela qualidade, pela inexaurível disposição de viver e de lutar, enfim!

Para ouvir histórias diferentes. Para descobrir uma nova geografia, qual seja, a dos fluxos que atingem a Itália com a esperança de uma vida digna. Para tratar do direito europeu e da forma como ele torna letra morta o direito ao refúgio. Para ouvir uma lição sobre as condições do trabalho e da exploração em Rosarno, como expressão de muitas outras zonas cinzentas.

O que precisamos, para sair da crise e continuar buscando a felicidade, é de espaço aberto, liberdade de movimento, dinheiro, poder de decisão sobre nossos próprios corpos. Por isso, no dia 1º de março, segunda-feira, às 10:30h, todos à Praça Montecitorio!

Os estudantes do ensino médio e universitário contra o racismo.



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