Archive for the ‘Universidade Nômade’ Category


A Saúde como política do comum (Felipe Cavalcanti, Francini Guizardi)

quinta-feira, novembro 25th, 2010


Felipe Cavalcanti
Francini Guizardi

3 de outubro,
ressaca do 1º turno das eleições presidenciais.

No período de campanha que culminou com um amargo segundo turno, a saúde, dada pelas pesquisas “opiniudas” como preocupação número 1 da população, ficou, na vera, à margem de toda discussão travada. Um argumento genérico sobre genéricos, multirões e bobajadas de um lado, e a proposta de um modelo “UPAlala”-lôcentrico1 de outro, importado diretamente da tecnologia biopolítica de governo fabricada no Rio de Janeiro no contexto do mandato do “aliado” Sérgio Cabral. (mais…)




As cotas para negros no ensino superior e o biopoder (Vanessa Santos)

segunda-feira, maio 24th, 2010

Vanessa Santos do Canto

Há alguns anos vêm sendo discutidas as reservas de vagas (mais conhecidas como cotas) para negros nas universidades públicas do país. As cotas consistem em uma das modalidades das políticas de ação afirmativa para o combate à discriminação racial (uma das formas de manifestação do racismo) e são implementadas seja por força da autonomia universitária, ou através de leis estaduais que conjugam critérios monetários como forma de aferição da hipossuficiência dos candidatos a critérios étnico-raciais, dentre outras especificidades observadas em cada caso. (mais…)




O atual debate sobre a política de cotas para negros nas universidades (Alexandre do Nascimento)

segunda-feira, maio 24th, 2010

Alexandre do Nascimento

O debate sobre a política de cotas para negros nas universidades continua na ordem do dia no Brasil. Agora no âmbito do poder judiciário, onde se discute a constitucionalidade das cotas raciais. Desde 2008, quando dois manifestos foram entregues ao Supremo Tribunal Federal (STF), um posicionando-se contra as cotas e, conseqüentemente, contra a constitucionalidade e outro a favor e sustentando a constitucionalidade das cotas raciais, o debate sobre as côas deslocou-se para a Corte Suprema do Estado Brasileiro. Ou seja, neste momento a definição sobre a continuidade ou não das cotas para negros existentes em dezenas de universidades brasileiras está nas mãos dos ministros do STF, aos quais caberá a decisão sobre a constitucionalidade de tais políticas. (mais…)




Bolsa Família é um direito humano (Marina Bueno)

segunda-feira, maio 24th, 2010

Marina Bueno

Estruturado em eixos básicos que sugerem objetivos estratégicos e ações programáticas, o Plano Nacional de Direitos Humanos fez emergir um solo fértil para as discussões em torno da cidadania e democratização dos direitos. Mesmo tendo sido formulado a partir de intensos processos participativos desenvolvidos nos estados – conferências livres, regionais, distritais, municipais e pré-conferências – o que lhe confere o mérito da democrática construção, o PNDH levantou uma série de abordagens que o acusaram de promover uma “ditadura velada disfarçada pelas palavras”. (mais…)




Sobre o Terceiro Programa de Direitos Humanos (Fabrício Toledo)

segunda-feira, maio 24th, 2010

A violência da mídia conservadora é proporcional ao vazio de seu projeto e à radicalidade dos programas sociais do Governo Lula.

Fabrício Toledo

Apesar de todos os ataques feitos pela grande imprensa ao 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, a verdade é que ele não difere muito das outras duas versões publicadas durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, como alguns jornais tiveram que admitir . E, ao contrário do que foi amplamente divulgado, o Programa não é fruto “ideológico” do gabinete do Presidente Lula, mas resultado do encontro de 14 mil pessoas em 137 conferências regionais e temáticas, incluindo a Conferência Nacional de Direitos Humanos, em 2008. Como explicou o Ministro Paulo Vannuchi, 31 ministérios foram consultados sobre o Programa, cujo texto ficou aberto a sugestões no site do governo por quatro meses . (mais…)




Universidades privadas, biopoder e Capitalismo Cognitivo (Rodrigo Gueron)

domingo, dezembro 20th, 2009
Rodrigo Guéron

Ao ler o resumo do que foi dito num seminário das atuais mantenedoras das universidades privadas brasileiras, tive vontade de escrever um pouco sobre o tema. Trata-se de uma lista draconiana de ações que as mantenedoras pretendem empreender, por um lado, na estrutura de suas próprias instituições/empresas e por outro, como ação política junto aos poderes do Estado. Algumas medidas já podem ser verificadas nas práticas nestas instituições: a redução ao mínimo de aulas práticas e usos de laboratórios e equipamentos; controle sobre a produção criativa dos estudantes; e arrocho salarial sobre os professores que, no caso de algumas instituições do estado do Rio, chega ao extremo do desrespeito explícito a direitos básicos: salários atrasados, FGTS não depositado, 13º salário não pago, e assim por diante.

Nesses seminários, as mantenedoras condenam a priori qualquer tipo de fiscalização e regulamentação do MEC, chamam de “ideológica” a preocupação dos Conselhos de Medicina com o nível dos cursos, não mostram qualquer disposição em investir em pesquisa e propõem uma série de mudanças nas instituições sem que estas tenham qualquer preocupação pedagógica e/ou acadêmica. (mais…)




A universidade autônoma como processo comum (Uniriot)

domingo, dezembro 20th, 2009
Rete per l’Autoformazione – UNIRIOT Roma

1) É preciso repensar a questão da rede. Ao longo dos últimos anos, no contexto dos movimentos sociais, todos concordam que a nova forma de organização é a organização em rede. Isso é bom, mas não suficiente. De fato, hoje em dia, vemos economistas e acadêmicos liberais exaltarem as mesmas características que os movimentos sociais apontaram de uma forma subversiva: o excesso de cooperação na lógica do mercado, a importância do compartilhamento, o valor das diferenças e da multiplicidade, a construção do espaço público, experiências com open-source e software livre. Em outras palavras, a maioria dessas pessoas está consciente da impossibilidade de organizar a cooperação social de cima para baixo: assim, o problema crucial para elas é como capturá-la na base.

Este é o propósito dos processos de hierarquização e de segmentação: eles devem reduzir continuamente a cooperação social ao valor econômico e impor o comando post festum. Também a governança é uma forma de organização em rede, colocando nos termos de Ned Rossiter (Università Globale. Il nuovo mercato del sapere, disponível em inglês em http://www.edu-factory.org/edu15/index.php?option=com_content&view=article&id=77:a-hierarchy-of-networks-or-geo-culturally-differentiated-networks-and-the-limits-of-collaboration&catid=44:second-round&Itemid=62), uma vez que se baseia na impossibilidade da forma clássica de governo vertical. Em outras palavras, ela se baseia na crise determinada pelas lutas e pelos movimentos do trabalho vivo. A governança é descentralizada, mas não é horizontal. Na realidade, não há redes horizontais. Para resumir: a rede, em si, não é subversiva, ela só pode sê-lo quando estiver ligada às questões da re-apropriação do público e da destruição do comando e da hierarquia capitalistas. (mais…)




Oito teses sobre a Universidade (Alberto de Nicola e Gigi Roggero)

domingo, dezembro 20th, 2009
Alberto de Nicola
Gigi Roggero

Bill Readings escreveu “The University in Ruins” em meados dos anos noventa (1996, na edição da Harvard University Press). A Universidade estatal está em ruínas, a universidade de massa está em ruínas, e a universidade, enquanto lugar privilegiado da cultura nacional, também está em ruínas. A própria cultura nacional está em ruínas. Podemos ler esse processo a partir da nossa perspectiva de participação em movimentos do trabalho vivo: este é o ponto de vista no qual situamos nossa análise. E, tanto a crise da universidade, quanto a da cultura nacional, foi determinada, acima de tudo, por esses movimentos. Não temos nenhuma nostalgia, portanto. Na realidade, a ‘empresarialização’ e a construção de uma “universidade global”, para usar as palavras de Andrew Ross, não são uma imposição unilateral. São processos baseados em relações sociais, ou seja, relações de força. Não achamos útil se opor a este processo em nome do passado, nós contribuímos para sua supressão. Ao contrário, temos que transformar esses processos em um campo de conflito. Devemos investir contra eles em um estágio avançado: este é o problema. Precisamos analisá-los para descobrir formas de resistência e linhas de fuga.

Mas, o que é a universidade atualmente? Do ponto de vista capitalista, é um dos locais de hierarquização da força de trabalho. Os mecanismos de valorização, desvalorização, desmantelamento e segmentação da força de trabalho estão baseados no conhecimento e no controle da produção de conhecimento. Mas, a universidade não é o único espaço para tal controle, pois há um transbordamento da produção de conhecimento das instituições de ensino: esta produção se difunde pelas redes de cooperação social, redes que são, por sua vez, ambivalentes, uma combinação conflituosa de autonomia e de comando capitalista, de lutas por liberdade e resultados apropriados pelo mercado. Assim, no contexto mais amplo das metrópoles, a universidade se torna cada vez menos central na hierarquia capitalista, embora continue sendo um local de grande concentração espaço-temporal da força de trabalho. (mais…)




As cotas para negros no Tribunal

domingo, dezembro 20th, 2009
Alexandre do Nascimento

A proposta de cotas para negros e negras nas universidades ganhou força no Brasil a partir da Marcha Zumbi dos Palmares – contra o racismo pela cidadania e a vida., realizada em 20 de novembro de 1995, e se consolidou em 2001, após a Conferência de Durban, quando a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, instituiu a reserva de vagas nas Universidades Estaduais. Porém, é uma proposta que ainda causa uma grande polêmica no Brasil.

Do nosso ponto de vista, trata-se de uma falsa polêmica, pois o que ocorre é que, apesar do fato de 91 universidades brasileiras já possuírem políticas de cotas, das quais 67 possuem cotas étnico-raciais, setores da chamada “comunidade acadêmica”, da grande mídia e da política nacional (incluindo entre esses juízes, desembargadores e ministros do poder judiciário, que resolveram tomar partido contra as cotas), mostram-se “preocupados” com a racialização de uma sociedade que “nunca teve” políticas raciais. Baseiam-se esses setores na produção ideológica de alguns “intelectuais” que se esforçam em “provar” que o Brasil nunca foi racializado e que, portanto, “não somos racistas”. Tudo isso apesar das comprovadas práticas discriminatórias de muitas das nossas instituições, como a polícia, o poder judiciário, a imprensa, a universidade, a educação e os processos de seleção das empresas em geral, das imensas desigualdades raciais e da existência, desde o fim do instituto da escravidão, de um expressivo movimento social negro, que vem sendo chamado por esses intelectuais de movimento racialista e acusado de querer promover uma “divisão perigosa” baseada na idéia de uma “gota de sangue”. (mais…)







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