Archive for the ‘Edicao 11’ Category


“Choque de ordem” ou “choque de cidadania”?

domingo, dezembro 20th, 2009

A luta dos trabalhadores pobres por moradia digna está chegando a um momento crucial. Este momento é crucial também para os setores dos governos Municipal, Estadual e Federal ligados à esquerda, em geral, e ao PT, em particular. Urge perguntar: a “esquerda de governo” tem políticas públicas para os trabalhadores pobres da metrópole ou pensa apenas nos interesses das grandes empresas?

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O Brasil e a nova Lei de Estrangeiros (Leonora Corsini)

domingo, dezembro 20th, 2009
Leonora Corsini

De acordo com os estudiosos do tema das migrações, existem hoje cerca de 200 milhões de migrantes em circulação no mundo; são números bastante expressivos, que permitem postular a existência de um sexto continente – o “continente móvel” – que corresponde a praticamente 3% da população mundial. Algo do tamanho da população brasileira vive em contínuo movimento migrante; seria como imaginar todo o nosso país migrando pelo mundo. Yann Moulier-Boutang chama este movimento em massa de “Continente da Fuga”, uma terra que tem de ser sistematicamente conquistada e que começou a ser delineada a partir da fuga do trabalho dependente, da escravidão e da servidão, acabando por ter um caráter positivo nos países de imigração ao criar as condições que favorecem a acumulação. (mais…)




Argentina: entre o governo e a governança (Cesar Altamira)

domingo, dezembro 20th, 2009
Cesar Altamira

Tradução:
Leonardo Retamoso Palma
Lúcia Copetti Dalmaso

Uma primeira análise sobre as eleições nacionais para renovação de deputados e senadores realizada em junho de 2009 pode levar a interpretar o resultado como um voto de castigo ao governo kirchnerista, que perdeu a maioria parlamentar. Múltiplas razões podem explicar a derrota: o péssimo manejo do conflito com o setor agrário, que se estendeu de março até julho de 2008; questões de forma e estilo de governo (prepotência, soberba política e autoritarismo) que provocaram repúdio social; assim como os míseros resultados em termos de bem estar social do último ano e meio de gestão, que influenciaram uma parte importante da sociedade entediada diante da retórica oficial mentirosa – que falseia dados econômicos e sociais – que põe em dúvida os propósitos e princípios igualitários que o governo dizia e diz encarnar.

A derrota política põe em xeque a legitimidade do governo, fenômeno que se faz ainda mais contundente quando recordamos que esta crise se produz em um país onde o conflito social se resolve na rua, com métodos de ação direta em praças e rodovias. Trata-se de uma sociedade altamente politizada, onde a baixa institucionalidade deve ligar-se à crise da relação salarial fordista. (mais…)




A nova constituição boliviana (Salvador Schavelzon)

domingo, dezembro 20th, 2009
Salvador Schavelzon

Tradução:
Leonardo Retamoso Palma
Lúcia Copetti Dalmaso

Depois de ter promulgado a nova Constituição, em 7 de fevereiro deste ano, o governo boliviano dá os primeiros passos para implementá-la. Modificou a estrutura do gabinete para se adequar ao novo texto, elabora suas primeiras leis (Eleitoral, Marco de Autonomias, de Justiça, etc.) e realiza modificações nos ministérios e nas políticas públicas para também adaptá-los à nova estrutura. Segundo estabelece o primeiro artigo da nova Constituição, o Estado agora se caracteriza como Unitário Social de Direito Plurinacional Comunitário, Intercultural, descentralizado, com Autonomias e fundado na pluralidade. Com o novo cenário, as organizações sociais e indígenas aproximam-se agora da constituição de autonomias e do desenvolvimento do controle social. Por sua parte, o governo prepara-se para 6 de dezembro de 2009, quando serão eleitos os primeiros assembleístas do novo parlamento e Evo Morales se submeterá à reeleição. A dispersão e falta de projeto da oposição convidam a supor que Morales se imporá novamente nas urnas. Sendo assim, começaria um mandato de cinco anos, que seria o último, devido a que nas negociações para convocar o referendum aprobatório da Constituição no Congresso, o presidente cedeu à possibilidade de reeleger-se por dois novos mandatos depois do atual. (mais…)




Global entrevista Michael Hardt

domingo, dezembro 20th, 2009

“O melhor futuro para os EUA é se tornar como a América Latina”

Autor de “Império” e “Multidão”, junto com o filósofo Antonio Negri, Michael Hardt esteve em dezembro no Brasil, participando do Fórum Livre de Direito Autoral – o Domínio do Comum, evento organizado pela Escola de Comunicação da UFRJ e Rede Universidade Nômade. Em um dos intervalos do evento, alguns dos participantes da Rede Universidade Nômade conversaram com Hardt.

Na entrevista, ele coloca em evidência o fato de que as crises do capitalismo são resultado da força do poder constituinte da multidão e provoca cada um de nós a se colocar na disputa em relação ao que se produzirá a partir da crise atual.

Da mesma maneira, ao comentar sobre o significado das eleições de um negro – Obama – e de um operário – Lula – o autor e militante nos chama atenção para um elemento essencial: a eleição em si pouco significa sem a potência das mobilizações sociais.

Participaram da entrevista:

Gilvan Vilarim, Pedro Barbosa Mendes e Felipe Cavalcanti.

Tradução: Pedro Barbosa Mendes

Universidade Nômade – A primeira pergunta diz respeito à crise. Tomando-se a crise como um momento de indefinição no qual ainda não é possível perceber com clareza a dimensão dos deslocamentos ocorridos, como aproveitar o atual processo para construir uma possibilidade de abertura/ruptura, em sua opinião?

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Manifesto: A luta dos pobres e a arrogância de ser poder

domingo, dezembro 20th, 2009
Rede Universidade Nômade

Comentário ao documento do Secretário Municipal de Habitação do Rio de Janeiro

Em 30 de junho de 2009, a rede Universidade Nômade lançou um manifesto[1] de apoio à luta dos trabalhadores pobres e sem-teto do Centro da cidade do Rio de Janeiro que tinham acabado de ser violentamente despejados, com base em decisão judicial e por um forte contingente de polícia, de um prédio ocupado na Lapa. Nesse documento, criticávamos a falta de políticas públicas e a ausência de negociação por parte das diferentes instâncias de governo estadual e municipal e, ainda, o não cumprimento de (outra) decisão judicial que determina a concessão imediata de moradia (ou o pagamento de um aluguel social) aos sem-teto: ele está – na hora em que escrevemos – com 135 assinaturas, a maioria delas de professores universitários. Muitas são de ativistas e redes de movimentos sociais[2]. Alguns dias depois, o Secretário Municipal de Habitação fez circular uma “resposta” intitulada “Salada ideológica com fins desconhecidos”[3]. Nesta, entre outros comentários abertamente desrespeitosos, ele faz a distinção entre os signatários que seriam autores do documento e os que teriam assinado por mera amizade, aos quais convida a um diálogo que na realidade é uma chamada à disciplina de uma “união” sem opinião. Aqui vai um comentário de alguns dos signatários, aqueles que se reconhecem na Rede de movimento que chamamos, há alguns anos, Universidade Nômade (daqui em diante, UN). (mais…)




O que há de novo na política habitacional do Rio? (Marina Bueno)

domingo, dezembro 20th, 2009
Marina Bueno

Em resposta ao manifesto da Rede Universidade Nômade sobre a questão da habitação e o último episódio violento de despejo de 30 famílias que ocupavam um prédio no centro do Rio, o secretário municipal de habitação Jorge Bittar, expôs um conjunto de proposições contrárias às críticas contidas no documento, das quais ele chamou de “salada ideológica com fins desconhecidos”. Destaca-se em sua fala, que o documento assinado por intelectuais respeitados, alunos e integrantes dos movimentos sociais, “nada esclarece e nada propõe”. Em discordância de tal afirmação e aceitando o convite ao diálogo feito pelo secretário (embora seu texto se apresente muito mais como uma delimitação de lados – opostos), vamos dar continuidade ao debate. (mais…)




‘Arraiá’ da Resistência (Fabiano Nunes)

domingo, dezembro 20th, 2009
Fabiano Nunes

Quem não está, não existe! Em espaços onde a realidade não necessita ser buscada, que ela se apresenta cruelmente como a companheira fria de uma luta de equalização de direitos frustrada, a luta pela vida é carne. É fome. É resistência diária.

Alguns séculos atrás, um africano guerreiro escravizado – como tantos outros, arrancado de sua terra – profundo conhecedor das forças dos ferros dos quilombos da nossa terra brasilis, não foi vencido pela dureza das chibatadas e pelos interesses dos poderosos senhores: o guerreiro quilombola Manoel Congo propunha a revolução, a resistência, a luta pela transformação daquela relação apodrecida de poder. Proposta difícil para a época da escravidão assumida; proposta de resistência nesta nossa época de escravidão dissimulada e alimentada pelos detentores de poder público (coitados, não sabem o que os espera!). Brasileiro anestesiado pelos interessados em governar um “povo-gado” é expulso de casa e posto na beira de qualquer ventania. Anda sem forças e sem fim, carregando o pouco que restou de si mesmo e de seus filhos. Mas esses restos ainda ateiam fogo às vestes dessa estrutura nojenta de “governo” que se esquece da humanidade, e esquecendo seus irmãos de espécie, assina papéis timbrados num ar-condicionado que resfria o amor. Não. No chão da nossa terra tem sangue e suor do nosso povo escravizado. Da dor nasceu a resistência. (mais…)




Sirva-se e serve-se [Pedro Moreira Lima]

domingo, dezembro 20th, 2009
Pedro Moreira Lima

Crônica

Lembro disso aí com muito gosto. Caminhando aos pés do morro pra comprar maconha – condição quase redutível do contato de jovens eurocentrados com negros – surgiu-me tal escrito na frente do que parecia ser uma pensão. A letra, em preto, claudicava toscamente sobre uma plaqueta de forte amarelo, fluorescente, pra roubar atenção. Era uma contradição maravilhosa, aquela poesia constituída na fratura da palavra. Uma presença que se dava pela falta. O gozo de um jato denso e fecundo esporrado para além da linearidade da pauta. (mais…)




A cidade insubmissa (Alexandre Mendes)

domingo, dezembro 20th, 2009
Alexandre Mendes

Da fuga dos escravos na direção dos quilombos livres, passando pela recusa nordestina ao poder oligárquico e à miséria, sem esquecer os fluxos de migração vindos de todo o mundo, o Brasil é atravessado por êxodos constitutivos que criam dinâmicas de liberdade e estabelecem novas formas de vida. Nascidas na velocidade desses êxodos, as grandes cidades brasileiras, tão caóticas quanto insubmissas, emergem como espaço de intensas lutas e conflitos em torno dos direitos e da cidadania.

Planejamento autoritário, concentração fundiária e de renda, violência, racismo foram algumas das tradicionais estratégias para o controle e exploração das multidões de pobres e migrantes que chegavam às cidades. Contudo, tais mecanismos não impediram o exercício de uma crescente e viva resistência exercida pelos novos habitantes. (mais…)







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